Subido alguns degraus percebi o quanto devo voltar a fazer exercícios. A subida era bem íngreme e, embora quase senti cãimbras, mas segui em frente e consegui chegar até o pico do castillo. Uma visão muito bonita. Pensei nela... tudo parecia preto-e-branco. E quanto mais olhava ao redor, mais eu percebia que eu era o único que não tinha uma companhia. Aliás, isso tem se tornado uma constante por aqui. Em restaurantes, supermercados, metrôs, sempre vejo as pessoas acompanhadas, nunca sós.
Pois bem... o que se faz quando se chega no topo? Desce. Meio perigosa a descida e pensei como a Gabi faria. Teria que estar com tênis, as pedras eram escorregadias. Consegui chegar ao chão, são e salvo. Depois, encontrei o Miroslav, cachorrinho que mora no parque, muito simpático, embora persistia em querer morder minha mão para brincar, mas devia seguir em frente, porque estava com fome e minhas pernas já não respondiam mais. Na volta, peguei outro caminho e cruzei com um casal que me parou. Entregaram-me um poema e desandaram a falar sobre o sistema educacional universitário do Chile. Falei que era do Brasil e eles falaram que não existia uma universidade como a Unicamp ou USP. Bem informados, os chilenos. Falaram que gostam muito do Lula e perguntaram se eu tinha um dinheirinho para eles. Espertinhos. Dei 5 mil pesos mais pelo medo de alguma represália do que por vontade própria.
Dado a volta no parque, voltei à Lastarria, rua do apartamento onde estou hospedado. Parei para almoçar no Patagonia, já citado aqui e comi um belo cordeiro com lentilhas e feijão verde. Por um momento me lembrei de Esaú e Jacó. Não sei se esse prato valeria a primogenitura, mas que estava apetitoso, isso estava. Mais uma olhada a volta, um casal de chilenos conversava animadamente ao meu lado. Não prestei muita atenção ou não entendi o que falavam, depende do ponto de vista. Em outras mesas, a frente um casal de estrangeiros, provavelmente americanos, um jovem casal de namorados à minha diagonal direita pediram um prato gigante e ele a ajudava a terminar. Enfim, ninguém solitário como eu.
Perto de ir embora, já apreciando um café horrível, aparece um trio de estudantes de Concepción, epicentro do terremoto de fevereiro. Tocaram duas belas músicas típicas, muito bem executadas. Posaram para as fotos, dei alguns pesos e voltei ao apartamento.
Dormi no final da tarde e só acordei hoje no começo da tarde. Fome novamente. Tenho tentado comer o mínimo possível, porque com o frio, a fome é maior. Fui almoçar em um restaurante peruano. Comi um ensopado de cordeiro com arroz e um purê diferente. Não tão gostoso quanto do dia anterior, mas o suficiente para matar a minha fome. Era necessário ir até o supermercado encher a geladeira novamente. No Unimarc, vi duas moças furtando chocolates. Resolvi sair de perto para evitar confusões e, logo, chegou os seguranças.
De volta aqui, chove muito hoje, e o frio é maior também. Tudo para piorar a solidão que me assola neste final de semana. Amanhã é um novo dia de trabalho, sem muito o que fazer. Fim da semana 1. Três a enfrentar.
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